Quinta-feira, 29 de outubro de 2026 · 30ª semana do Tempo Comum · cor verde · Evangelho: Lc 13,31-35
Avó, mãe e duas crianças abraçados e sorrindo no adro de uma igreja, sob a luz da manhã

Meditação do Evangelho de hoje

Debaixo das asas

Formação do dia 29/10/2026, na caminhada até o Pentecostes de 2033 · Ano da Sabedoria

1ª leitura: Ef 6,10-20Salmo: Sl 143(144),1-2.9-10Evangelho: Lc 13,31-35Ler a liturgia no Homilias

Alguns fariseus se aproximam de Jesus com um aviso: Herodes quer matá-lo, é melhor partir. A resposta não tem pressa nem medo. Jesus manda dizer àquela raposa que continuará a sua obra hoje e amanhã e que no terceiro dia chegará ao termo (Lc 13,32). Quem fala assim já decidiu o caminho: seguirá para Jerusalém, a cidade que, como Ele mesmo lembra, costuma ser o lugar onde os profetas são mortos.

E é justamente ali, diante da ameaça, que a voz de Jesus muda de tom. Em vez de ira, uma lamentação cheia de ternura: Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes quis reunir os teus filhos, como a galinha reúne a sua ninhada debaixo das asas (Lc 13,34). A imagem é a de uma ave pequena e protetora, que abre as asas e chama. O Salmo já rezava essa confiança ao pedir que Deus guarde o fiel à sombra das suas asas (Sl 16[17],8; Sl 90[91],4). Em Jesus, esse abrigo ganha rosto e voz.

A frase seguinte é a que mais dói: e vós não quisestes. Deus que chama não força a porta. Abre as asas, e o filho precisa vir. A dor do Evangelho de hoje não é a de um Deus ferido no orgulho, mas a de um Pai que respeita a liberdade dos filhos até o fim.

O dom da Piedade

Hoje pedimos o dom da Piedade. A palavra pode soar a devoção sentimental ou a pena de alguém, e não é nada disso. Santo Tomás de Aquino ensina que, pelo dom da Piedade, o Espírito nos move a prestar a Deus culto e honra como a um Pai (Suma Teológica, II-II, q. 121, a. 1). São Paulo diz o mesmo com outras palavras: recebemos um espírito de filhos adotivos, no qual clamamos Abbá, Pai (Rm 8,14-16). A Piedade é a ternura filial que o Espírito derrama em nós, e dela nasce também o olhar fraterno sobre quem está ao nosso lado.

Sem esse dom, a oração corre o risco de virar tarefa cumprida ou desabafo sem destinatário. Com ele, rezar volta a ser o que Jesus queria para Jerusalém: deixar-se reunir. A mesma tradição liga a Piedade à bem-aventurança dos mansos (Mt 5,5), e não por acaso. Quem se sabe filho amado não precisa vencer ninguém para se sentir seguro e consegue olhar o irmão como alguém da mesma casa.

A primeira leitura de hoje nos arma com a verdade, a justiça, a paz e a fé, e termina com um pedido que dá sentido a tudo: orar em todo tempo, no Espírito (Ef 6,18). A armadura do cristão é filial. Antes de lutar, ele reza como filho.

Desafio de hoje: deixar-se reunir

Há em quase toda família uma distância que ninguém decidiu, mas que foi crescendo: uma conversa adiada, um irmão com quem falamos pouco, um pai ou uma mãe que merecem mais do que um recado rápido.

  1. Reservemos dez minutos de silêncio e rezemos o Pai-Nosso lentamente, uma frase de cada vez, demorando-nos na palavra Pai.
  2. Pensemos em alguém da nossa casa ou da nossa comunidade de quem nos afastamos. Hoje, demos um passo concreto de aproximação: uma ligação, uma visita, um pedido de perdão ou um simples convite para um café.
  3. Se o medo da rejeição aparecer, lembremos que Jesus seguiu para Jerusalém sabendo o que o esperava, e que chamou mesmo assim.

A resposta do outro não está sob o nosso controle. O que está sob o nosso controle é abrir as asas.

Espírito Santo, que nos fazeis filhos e nos ensinais a dizer Pai, dai-nos o dom da Piedade. Reuni sob as asas do Pai tudo o que anda disperso em nós e tornai-nos mansos diante de Deus e dos irmãos. Por intercessão de São Narciso de Jerusalém, guardai-nos fiéis à oração da Igreja. Amém.

Quinze minutos no Cenáculo

  1. Leia esta formação com calma (cerca de 5 minutos).
  2. Faça 5 minutos de silêncio, dizendo devagar a palavra Pai e deixando-se reunir.
  3. Escolha o passo do desafio e reze a oração (cerca de 5 minutos).

Perguntas sobre esta meditação

O que diz o Evangelho de 29 de outubro de 2026 (Lc 13,31-35)?

Alguns fariseus avisam Jesus de que Herodes quer matá-lo. Jesus responde que continuará a sua obra hoje e amanhã e que no terceiro dia chegará ao termo (Lc 13,32), e segue para Jerusalém. Ali pronuncia uma lamentação cheia de ternura: quantas vezes quis reunir os filhos de Jerusalém, como a galinha reúne a sua ninhada debaixo das asas, e eles não quiseram (Lc 13,34).

O que significa Jesus comparar-se a uma galinha que reúne os pintinhos?

É a imagem de uma ave pequena e protetora, que abre as asas e chama. A Escritura já rezava a confiança de estar sob as asas de Deus (Sl 16[17],8; Sl 90[91],4). Em vez de ira diante da ameaça, Jesus mostra a ternura de um Pai que reúne, mas que respeita a liberdade dos filhos até o fim.

O que é o dom da Piedade?

Não é devoção sentimental nem pena de alguém. Santo Tomás de Aquino ensina que, pelo dom da Piedade, o Espírito nos move a prestar a Deus culto e honra como a um Pai (Suma Teológica, II-II, q. 121, a. 1). São Paulo diz o mesmo ao falar do espírito de filhos adotivos, no qual clamamos Abbá, Pai (Rm 8,14-16). É a ternura filial que o Espírito derrama em nós, e dela nasce também o olhar fraterno sobre quem está ao nosso lado.

Como viver o dom da Piedade no dia a dia?

A meditação propõe deixar-se reunir. Reservar dez minutos de silêncio e rezar o Pai-Nosso lentamente, uma frase de cada vez, demorando-se na palavra Pai. Depois, pensar em alguém da família ou da comunidade de quem nos afastamos e dar um passo concreto de aproximação: uma ligação, uma visita, um pedido de perdão ou um simples convite para um café.

Quem foi São Narciso de Jerusalém, lembrado em 29 de outubro?

Foi bispo de Jerusalém entre os séculos II e III, e a sua memória chega até nós sobretudo por Eusébio de Cesareia, na História Eclesiástica. A formação de hoje pede a sua intercessão para que sejamos fiéis à oração da Igreja.

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