Meditação do Evangelho de hoje
Felizes os que já chegaram e os que caminham
Formação do dia 01/11/2026, na caminhada até o Pentecostes de 2033 · Ano da Sabedoria
Mateus abre o Sermão da Montanha com um movimento simples: Jesus vê as multidões, sobe ao monte, senta-se e os discípulos se aproximam (Mt 5,1). Quem ensina sentado, na cultura daquele tempo, ensina com autoridade de mestre, e o que ele diz primeiro não é uma ordem nem uma ameaça. É uma proclamação de felicidade.
As bem-aventuranças dizem que são felizes os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz e os perseguidos por causa da justiça (Mt 5,3-10). A palavra traduzida por felizes carrega a ideia de uma alegria que já começou, e não apenas de um prêmio adiado. O Catecismo as chama de centro da pregação de Jesus e responde ao desejo de felicidade que Deus pôs no coração humano (CIC 1716).
É por isso que a Igreja as lê na solenidade de hoje. A primeira leitura mostra uma multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, vestida de branco e com palmas nas mãos (Ap 7,9), e a segunda lembra que já somos filhos de Deus, embora ainda não se tenha manifestado o que seremos (1Jo 3,1-2). Os santos não são uma elite distante. São os que levaram as bem-aventuranças a sério e, por isso, formam a família a que também somos chamados.
O dom da Sabedoria
Hoje pedimos o dom da Sabedoria, o primeiro da lista e o que o Ano da Sabedoria nos convida a buscar. O Catecismo o inclui entre os sete dons que aperfeiçoam as virtudes (CIC 1831), e Santo Tomás de Aquino o descreve como um julgamento reto, segundo as razões divinas, sobre o que realmente importa (Suma Teológica, II-II, q. 45, a. 1). A palavra latina tem a mesma raiz de sabor, e o mesmo Santo Tomás aproveita a semelhança ao chamar a sabedoria de uma ciência saborosa (II-II, q. 45, a. 2).
Essa imagem ajuda a entender o dia de hoje. Os santos não conheceram apenas as verdades da fé, eles as provaram. Quem saboreou que a mansidão vence a violência, que a misericórdia cura mais do que o ressentimento e que a pobreza interior abre espaço para Deus já não precisa ser convencido a viver assim. A sabedoria é o dom que desloca essas verdades da cabeça para o paladar do coração.
A Igreja ensina que todos os fiéis, de qualquer estado, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade (Lumen Gentium, 40). A santidade, portanto, não está reservada a quem aparece nos altares. Está ao alcance da mãe que acorda de madrugada, do aposentado que reza o terço e do jovem que escolhe a verdade quando mentir seria mais cômodo.
Desafio de hoje: dizer o nome de um santo que conhecemos
Hoje é um bom dia para dar rosto à santidade. Não precisamos escolher alguém canonizado: basta alguém que nos mostrou, na prática, o que Jesus ensina nas bem-aventuranças.
- Primeiro, escolhamos uma pessoa de fé, viva ou falecida, que nos ensinou a rezar, a perdoar ou a servir, e lembremos de um gesto concreto dela.
- Depois, agradeçamos a Deus por essa pessoa numa oração breve, dita pelo nome, e peçamos que ela interceda por nós.
- Por fim, contemos a história a alguém da família, para que a lembrança continue passando de mão em mão.
A solenidade de hoje existe justamente para isso: lembrar que não caminhamos sozinhos e que há muita gente na frente, torcendo por nós.
Espírito Santo, que fizestes dos santos testemunhas da alegria das bem-aventuranças, dai-nos o dom da Sabedoria para saborear o que eles saborearam. Ensinai-nos a escolher, entre tantas coisas boas, a que nos aproxima de Deus, e a reconhecer a felicidade onde o mundo só vê perda. Todos os santos e santas de Deus, rogai por nós. Amém.
Quinze minutos no Cenáculo
- Leia esta formação com calma (cerca de 5 minutos).
- Faça 5 minutos de silêncio, agradecendo a Deus por alguém que lhe ensinou a fé.
- Escolha o passo do desafio e reze a oração (cerca de 5 minutos).
Perguntas sobre esta meditação
O que diz o Evangelho de 1º de novembro de 2026 (Mt 5,1-12a)?
Jesus sobe ao monte, senta-se e proclama as bem-aventuranças: felizes os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz e os perseguidos por causa da justiça.
Qual é a diferença entre Todos os Santos e Fiéis Defuntos?
Em 1º de novembro a Igreja celebra todos os que já estão na glória de Deus, conhecidos ou não. Em 2 de novembro reza pelos fiéis defuntos que ainda passam por purificação (CIC 1030-1032), em comunhão entre a Igreja que caminha, a que se purifica e a que já contempla a Deus (CIC 954).
É preciso ser canonizado para ser santo?
Não. A canonização reconhece publicamente a santidade de alguns, como exemplo e intercessores (CIC 828), mas a multidão descrita em Ap 7,9 inclui incontáveis santos que ninguém conheceu pelo nome.
O que é o dom da Sabedoria?
É o dom que nos faz julgar e saborear as coisas segundo Deus. O Catecismo o inclui entre os sete dons (CIC 1831), e Santo Tomás de Aquino o estuda na Suma Teológica, II-II, q. 45.
Preciso ir à Missa na solenidade de Todos os Santos?
Em 2026 a solenidade cai num domingo, dia em que já participamos da Missa. Nos anos em que cai em outro dia, convém conferir a orientação da sua diocese sobre a obrigação de participar.
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