Meditação do Evangelho de hoje
A decisão de quem não perde tempo
Formação do dia 06/11/2026, na caminhada até o Pentecostes de 2033 · Ano da Sabedoria
É uma das parábolas mais difíceis de Lucas, e convém lê-la devagar. Um homem rico descobre que o seu administrador está desperdiçando os bens e o chama para prestar contas, avisando que ele perderá o cargo (Lc 16,1-2). O administrador faz um raciocínio rápido: não tem força para cavar nem coragem para pedir esmolas, e por isso decide ganhar amigos que o acolham quando for despedido (Lc 16,3-4).
Para isso, chama os devedores do patrão e reduz o valor do que cada um deve (Lc 16,5-7). O senhor, ao saber, louva o administrador, e a surpresa vem aqui: o louvor não é pela desonestidade, que o próprio texto chama de injusta, mas por ter agido com esperteza, com visão de futuro e sem hesitar (Lc 16,8). Jesus não oferece o administrador como modelo moral, e sim como exemplo de decisão diante de uma crise.
O comentário de Jesus explica o ponto: os filhos deste mundo costumam ser mais espertos, em seus negócios, do que os filhos da luz (Lc 16,8). A pergunta que a parábola faz é incômoda. Se alguém põe tanta energia em garantir o próprio futuro material, por que quem acredita na vida eterna costuma tratar o seu futuro com tanta lentidão?
O dom da Fortaleza
Hoje pedimos o dom da Fortaleza. O Catecismo descreve a virtude da fortaleza como a que garante, nas dificuldades, firmeza e constância na busca do bem (CIC 1808), e Santo Tomás de Aquino ensina que o dom do Espírito Santo nos dá a confiança de levar a bom termo as obras do bem, ainda que os obstáculos superem as nossas forças (Suma Teológica, II-II, q. 139, a. 1). O Catecismo também o inclui entre os sete dons (CIC 1831).
A Fortaleza não é só resistir. É também a coragem de começar. O administrador não ficou paralisado pelo medo de perder o emprego nem se afundou em autopiedade, e usou o tempo que lhe restava. A mesma coragem, a serviço do bem, aparece em quem finalmente pede perdão, em quem deixa uma conversa difícil de ser adiada e em quem decide, hoje, frequentar a Missa que sempre deixou para depois.
Paulo, na primeira leitura, lembra aos filipenses que a nossa cidadania está nos céus, de onde esperamos o Salvador (Fl 3,20), e conclui com uma exortação direta: permanecei firmes no Senhor (Fl 4,1). A firmeza e a esperança do futuro andam juntas. Quem sabe para onde vai caminha com mais decisão por onde está.
Desafio de hoje: não adiar o bem que está ao alcance
A parábola de hoje fala de quem não perde tempo, e quase todos temos uma boa ação que continua esperando um momento mais conveniente.
- Primeiro, escolhamos uma ação boa que sempre adiamos, como um pedido de perdão, uma visita, uma doação ou uma conversa.
- Depois, definamos agora a hora e a forma, de modo que a decisão não dependa do ânimo que sentiremos mais tarde.
- Por fim, façamos o que decidimos e, se o medo aparecer, rezemos pedindo ao Espírito Santo o dom da Fortaleza, que dá firmeza até o fim.
Quem decide hoje não está sendo precipitado. Está tratando o tempo como um bem que Deus nos confiou, e do qual teremos de prestar contas.
Espírito Santo, que dais fortaleza aos que se entregam ao bem, tirai de nós a lentidão de quem sempre deixa para depois. Dai-nos o dom da Fortaleza para decidir com clareza, agir com perseverança e confiar em vós quando o caminho parecer difícil. Que a esperança do céu, nossa verdadeira cidadania, nos faça usar bem o tempo e as coisas desta terra. Amém.
Quinze minutos no Cenáculo
- Leia esta formação com calma (cerca de 5 minutos).
- Faça 5 minutos de silêncio, entregando a Deus o bem que você vem adiando.
- Escolha o passo do desafio e reze a oração (cerca de 5 minutos).
Perguntas sobre esta meditação
O que diz o Evangelho de 6 de novembro de 2026 (Lc 16,1-8)?
Um administrador acusado de desperdiçar os bens do patrão sabe que será demitido e, para ter quem o acolha, reduz as dívidas dos devedores do senhor. O senhor o elogia por ter agido com esperteza, e Jesus observa que os filhos deste mundo costumam ser mais espertos do que os filhos da luz.
Jesus está aprovando a desonestidade do administrador?
Não. O próprio texto chama a conduta de injusta (Lc 16,8). O elogio recai sobre a rapidez e a visão de futuro com que ele agiu, e não sobre o meio escolhido. Jesus usa o exemplo para estimular os discípulos a agir com a mesma decisão no que realmente importa.
O que é o dom da Fortaleza?
É o dom que nos dá firmeza para fazer o bem diante das dificuldades e constância até o fim. O Catecismo trata da virtude da fortaleza em CIC 1808 e inclui o dom entre os sete (CIC 1831). Santo Tomás de Aquino o estuda na Suma Teológica, II-II, q. 139.
Qual a relação entre fortaleza e prudência?
A prudência discerne o que fazer e a fortaleza dá firmeza para fazê-lo. Segundo o Catecismo, a prudência orienta a razão prática a escolher os meios retos (CIC 1806), e a fortaleza sustenta a execução diante do medo e do cansaço (CIC 1808).
O que significa dizer que a nossa cidadania está nos céus (Fl 3,20)?
Significa que a pátria definitiva do cristão é o Reino de Deus, e que isso orienta a maneira de viver neste mundo, com responsabilidade, mas sem se prender a ele.
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