Meditação do Evangelho de hoje
Dois senhores, uma escolha
Formação do dia 07/11/2026, na caminhada até o Pentecostes de 2033 · Ano da Sabedoria
Hoje o Evangelho dá sequência à parábola do administrador, com um conjunto de frases que Jesus reúne para tirar as consequências dela. A primeira é um conselho que surpreende: fazer amigos com o dinheiro injusto, para que, quando ele acabar, sejamos acolhidos nas moradas eternas (Lc 16,9). O dinheiro, para Jesus, não é nem sagrado nem maldito. É um instrumento que pode abrir portas, se estiver a serviço de quem precisa.
Em seguida vem uma regra de bom senso que vale para qualquer profissão: quem é fiel no pouco será fiel também no muito, e quem é desonesto no pouco será desonesto no muito (Lc 16,10). Jesus liga a confiança de Deus ao modo como lidamos com as coisas pequenas, das contas de casa ao troco que sobra, e pergunta quem nos confiaria os bens verdadeiros se não fomos fiéis nos alheios (Lc 16,11-12).
A frase central é a mais conhecida. Nenhum servo pode servir a dois senhores, pois odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro, e não é possível servir a Deus e ao dinheiro (Lc 16,13). Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, zombam dele, e Jesus responde que Deus conhece os corações, e que o que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus (Lc 16,14-15).
O dom do Temor de Deus
Hoje pedimos o dom do Temor de Deus, o que fecha a lista dos sete. Santo Tomás de Aquino ensina que o temor filial leva a pessoa a reverenciar a Deus e a evitar separar-se dele (Suma Teológica, II-II, q. 19, aa. 9-10), e o Catecismo o inclui entre os sete dons do Espírito Santo (CIC 1831). É esse temor que dá a Deus o primeiro lugar quando duas lealdades parecem pedir o mesmo coração.
O Catecismo reconhece como idolatria toda tentativa de dar a algo que não é Deus a honra que só a ele cabe, e inclui entre esses ídolos o dinheiro, ao lado do poder e do prazer (CIC 2113). A advertência de Jesus não pede que desprezemos o trabalho ou os bens. Pede que nenhum deles se torne o senhor da nossa vida, a quem se serve sem perceber e de quem se espera segurança e sentido.
Paulo, na primeira leitura, mostra a liberdade de quem não serve ao dinheiro. Ele diz que aprendeu a viver na penúria e na abundância, e que tudo pode naquele que o fortalece (Fl 4,12-13). Agradece o auxílio dos filipenses como oferta de suave odor, agradável a Deus (Fl 4,18), e confia que Deus proverá todas as necessidades segundo a sua riqueza (Fl 4,19). Quem tem esse temor aprende a receber e a dar sem ansiedade.
Desafio de hoje: pôr o dinheiro a serviço
Hoje, façamos um pequeno exame de como tratamos o dinheiro, sem culpa e sem pressa, mas com honestidade diante de Deus.
- Primeiro, lembremos uma coisa pequena em que fomos pouco fiéis, como um troco não devolvido, um gasto escondido ou uma promessa de ajuda esquecida, e corrijamos o que for possível.
- Depois, escolhamos uma despesa supérflua da semana e destinemos o valor a alguém que precisa, a uma obra da comunidade ou a uma instituição de confiança.
- À noite, agradeçamos a Deus pelo que temos e peçamos o dom do Temor de Deus, para que nada tome o lugar dele em nossa vida.
Fazer amigos com o dinheiro é, em última análise, tratá-lo como Jesus pede: um meio de aproximar pessoas, e nunca um fim que as afasta.
Espírito Santo, que dais ao coração reverência e liberdade, dai-nos o dom do Temor de Deus para não servir a nenhum senhor além do Pai. Ensinai-nos a ser fiéis no pouco, a administrar com honestidade o que recebemos e a repartir com alegria o que nos sobra e o que nos faz falta. Que Deus seja a nossa riqueza e a nossa segurança. Amém.
Quinze minutos no Cenáculo
- Leia esta formação com calma (cerca de 5 minutos).
- Faça 5 minutos de silêncio, entregando a Deus as suas preocupações com dinheiro e segurança.
- Escolha o passo do desafio e reze a oração (cerca de 5 minutos).
Perguntas sobre esta meditação
O que diz o Evangelho de 7 de novembro de 2026 (Lc 16,9-15)?
Jesus aconselha a fazer amigos com o dinheiro injusto, ensina que quem é fiel no pouco será fiel no muito e afirma que ninguém pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro. Os fariseus, que gostavam de dinheiro, zombam dele, e Jesus responde que Deus conhece os corações.
O que significa fazer amigos com o dinheiro injusto?
Significa usar os bens, que quase sempre vêm misturados a injustiças e interesses, para ajudar os outros, de modo que o dinheiro se converta em gesto de caridade. A Igreja ensina que o destino universal dos bens da terra e a esmola são exigências do amor ao próximo (CIC 2443-2446).
É pecado ter dinheiro?
Não. O que o Evangelho condena é fazer do dinheiro um senhor, isto é, colocá-lo no lugar de Deus. O Catecismo trata da idolatria do dinheiro em CIC 2113 e do uso justo dos bens em CIC 2402-2406.
O que é o dom do Temor de Deus?
É o dom que nos faz reverenciar a Deus como Pai e evitar tudo o que nos separa dele. Santo Tomás de Aquino o estuda na Suma Teológica, II-II, q. 19, e o Catecismo o inclui entre os sete dons (CIC 1831).
O que Paulo ensina na primeira leitura (Fl 4,10-19) sobre bens e necessidades?
Que é possível viver bem na abundância e na penúria quando se está firme em Cristo (Fl 4,12-13), que a generosidade é uma oferta agradável a Deus (Fl 4,18) e que Deus provê o que falta (Fl 4,19).
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