Sábado, 7 de novembro de 2026 · 31ª semana do Tempo Comum · cor verde · Evangelho: Lc 16,9-15
Homem sereno, parado numa bifurcação de dois caminhos de terra num campo ensolarado, olhando para o caminho mais luminoso

Meditação do Evangelho de hoje

Dois senhores, uma escolha

Formação do dia 07/11/2026, na caminhada até o Pentecostes de 2033 · Ano da Sabedoria

1ª leitura: Fl 4,10-19Salmo: Sl 111(112)Evangelho: Lc 16,9-15Ler a liturgia no Homilias

Hoje o Evangelho dá sequência à parábola do administrador, com um conjunto de frases que Jesus reúne para tirar as consequências dela. A primeira é um conselho que surpreende: fazer amigos com o dinheiro injusto, para que, quando ele acabar, sejamos acolhidos nas moradas eternas (Lc 16,9). O dinheiro, para Jesus, não é nem sagrado nem maldito. É um instrumento que pode abrir portas, se estiver a serviço de quem precisa.

Em seguida vem uma regra de bom senso que vale para qualquer profissão: quem é fiel no pouco será fiel também no muito, e quem é desonesto no pouco será desonesto no muito (Lc 16,10). Jesus liga a confiança de Deus ao modo como lidamos com as coisas pequenas, das contas de casa ao troco que sobra, e pergunta quem nos confiaria os bens verdadeiros se não fomos fiéis nos alheios (Lc 16,11-12).

A frase central é a mais conhecida. Nenhum servo pode servir a dois senhores, pois odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro, e não é possível servir a Deus e ao dinheiro (Lc 16,13). Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, zombam dele, e Jesus responde que Deus conhece os corações, e que o que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus (Lc 16,14-15).

O dom do Temor de Deus

Hoje pedimos o dom do Temor de Deus, o que fecha a lista dos sete. Santo Tomás de Aquino ensina que o temor filial leva a pessoa a reverenciar a Deus e a evitar separar-se dele (Suma Teológica, II-II, q. 19, aa. 9-10), e o Catecismo o inclui entre os sete dons do Espírito Santo (CIC 1831). É esse temor que dá a Deus o primeiro lugar quando duas lealdades parecem pedir o mesmo coração.

O Catecismo reconhece como idolatria toda tentativa de dar a algo que não é Deus a honra que só a ele cabe, e inclui entre esses ídolos o dinheiro, ao lado do poder e do prazer (CIC 2113). A advertência de Jesus não pede que desprezemos o trabalho ou os bens. Pede que nenhum deles se torne o senhor da nossa vida, a quem se serve sem perceber e de quem se espera segurança e sentido.

Paulo, na primeira leitura, mostra a liberdade de quem não serve ao dinheiro. Ele diz que aprendeu a viver na penúria e na abundância, e que tudo pode naquele que o fortalece (Fl 4,12-13). Agradece o auxílio dos filipenses como oferta de suave odor, agradável a Deus (Fl 4,18), e confia que Deus proverá todas as necessidades segundo a sua riqueza (Fl 4,19). Quem tem esse temor aprende a receber e a dar sem ansiedade.

Desafio de hoje: pôr o dinheiro a serviço

Hoje, façamos um pequeno exame de como tratamos o dinheiro, sem culpa e sem pressa, mas com honestidade diante de Deus.

  1. Primeiro, lembremos uma coisa pequena em que fomos pouco fiéis, como um troco não devolvido, um gasto escondido ou uma promessa de ajuda esquecida, e corrijamos o que for possível.
  2. Depois, escolhamos uma despesa supérflua da semana e destinemos o valor a alguém que precisa, a uma obra da comunidade ou a uma instituição de confiança.
  3. À noite, agradeçamos a Deus pelo que temos e peçamos o dom do Temor de Deus, para que nada tome o lugar dele em nossa vida.

Fazer amigos com o dinheiro é, em última análise, tratá-lo como Jesus pede: um meio de aproximar pessoas, e nunca um fim que as afasta.

Espírito Santo, que dais ao coração reverência e liberdade, dai-nos o dom do Temor de Deus para não servir a nenhum senhor além do Pai. Ensinai-nos a ser fiéis no pouco, a administrar com honestidade o que recebemos e a repartir com alegria o que nos sobra e o que nos faz falta. Que Deus seja a nossa riqueza e a nossa segurança. Amém.

Quinze minutos no Cenáculo

  1. Leia esta formação com calma (cerca de 5 minutos).
  2. Faça 5 minutos de silêncio, entregando a Deus as suas preocupações com dinheiro e segurança.
  3. Escolha o passo do desafio e reze a oração (cerca de 5 minutos).

Perguntas sobre esta meditação

O que diz o Evangelho de 7 de novembro de 2026 (Lc 16,9-15)?

Jesus aconselha a fazer amigos com o dinheiro injusto, ensina que quem é fiel no pouco será fiel no muito e afirma que ninguém pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro. Os fariseus, que gostavam de dinheiro, zombam dele, e Jesus responde que Deus conhece os corações.

O que significa fazer amigos com o dinheiro injusto?

Significa usar os bens, que quase sempre vêm misturados a injustiças e interesses, para ajudar os outros, de modo que o dinheiro se converta em gesto de caridade. A Igreja ensina que o destino universal dos bens da terra e a esmola são exigências do amor ao próximo (CIC 2443-2446).

É pecado ter dinheiro?

Não. O que o Evangelho condena é fazer do dinheiro um senhor, isto é, colocá-lo no lugar de Deus. O Catecismo trata da idolatria do dinheiro em CIC 2113 e do uso justo dos bens em CIC 2402-2406.

O que é o dom do Temor de Deus?

É o dom que nos faz reverenciar a Deus como Pai e evitar tudo o que nos separa dele. Santo Tomás de Aquino o estuda na Suma Teológica, II-II, q. 19, e o Catecismo o inclui entre os sete dons (CIC 1831).

O que Paulo ensina na primeira leitura (Fl 4,10-19) sobre bens e necessidades?

Que é possível viver bem na abundância e na penúria quando se está firme em Cristo (Fl 4,12-13), que a generosidade é uma oferta agradável a Deus (Fl 4,18) e que Deus provê o que falta (Fl 4,19).

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