Segunda-feira, 16 de novembro de 2026 · 33ª semana do Tempo Comum · cor verde · Evangelho: Lc 18,35-43
Homem de meia-idade sorrindo maravilhado ao colocar óculos novos e enxergar com nitidez uma praça de vilarejo florida, com crianças brincando ao fundo, sob luz dourada

Meditação do Evangelho de hoje

Ver de novo

Formação do dia 16/11/2026, na caminhada até o Pentecostes de 2033 · Ano da Sabedoria

1ª leitura: Ap 1,1-4; 2,1-5Salmo: Sl 1Evangelho: Lc 18,35-43Ler a liturgia no Homilias

Perto de Jericó, um cego estava sentado à beira do caminho, pedindo esmola. Ao ouvir o barulho da multidão, perguntou o que se passava e lhe disseram que Jesus de Nazaré estava passando (Lc 18,35-37). Ele não consegue ver o Mestre, mas consegue gritar, e é o que faz: Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim (Lc 18,38). Chamá-lo de Filho de Davi já é uma confissão, pois reconhece nele o Messias esperado.

Os que iam à frente o repreendiam para que se calasse, mas ele gritava ainda mais forte (Lc 18,39). Então Jesus parou e mandou que o trouxessem. A pergunta que o Senhor faz soa quase óbvia, que queres que eu te faça, e ela mostra que Jesus não impõe a cura, mas espera que o homem diga o que deseja (Lc 18,40-41). A resposta é simples, Senhor, que eu veja.

Jesus lhe diz que recobre a vista e que a sua fé o salvou (Lc 18,42). No mesmo instante o homem passou a ver e o seguia, glorificando a Deus, e todo o povo, vendo isso, também deu louvores a Deus (Lc 18,43). A cura não termina no olho, ela termina no seguimento, porque quem passou a ver já não fica à beira do caminho.

O dom do Entendimento

O Entendimento é o dom que nos faz penetrar no sentido das verdades da fé, de modo que deixam de ser apenas fórmulas aprendidas e passam a iluminar a vida (CIC 1831; Suma Teológica, II-II, q. 8). O cego do Evangelho, por assim dizer, vê com o coração antes de ver com os olhos, pois reconhece quem está passando enquanto muitos que enxergavam seguiam pelo caminho sem perceber o que acontecia ao lado deles.

A primeira leitura, do início do Apocalipse, mostra o outro lado dessa cegueira. À Igreja de Éfeso o Senhor reconhece as obras e a perseverança, mas lhe diz que abandonou o primeiro amor e lhe pede que se lembre de onde caiu e se converta (Ap 2,2-5). Pode-se saber muito e já não ver bem, e o entendimento da fé, por isso, está ligado ao amor, porque só entende de verdade quem ainda ama.

O grito do cego tornou-se, na tradição cristã, um modelo de oração curta e insistente, que o Catecismo apresenta ao falar da invocação do nome de Jesus (CIC 2667). Quem repete com sinceridade Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, vai abrindo os olhos aos poucos, e a fé, que parecia apenas um conjunto de ideias, começa a ter rosto.

Desafio de hoje: pedir para ver

Jesus pergunta a cada um de nós o que queremos que ele faça. Hoje, respondamos com a mesma simplicidade do cego.

  1. Primeiro, escolhamos um ponto da fé que não entendemos bem ou que nos parece distante, como um mistério da missa, uma parábola ou um ensinamento da Igreja, e o escrevamos em uma linha.
  2. Depois, durante cinco minutos, repitamos devagar a oração do cego, Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, e em seguida leiamos o parágrafo do Catecismo ou do Evangelho que trata desse ponto.
  3. Por fim, peçamos ao Espírito Santo o dom do Entendimento, para que a fé deixe de ser apenas conhecida e passe a ser vista.

Quem pede para ver já está dando o primeiro passo para o seguimento.

Espírito Santo, luz que ilumina a inteligência, dai-nos o dom do Entendimento, para que as verdades da fé deixem de ser distantes e se tornem claras e vivas em nós. Curai a nossa cegueira, sobretudo a que nasce do esfriamento do amor, e dai-nos a coragem de gritar por Jesus quando muitos nos mandam calar. Que, vendo com os olhos da fé, o sigamos pelo caminho, dando glória a Deus. Amém.

Quinze minutos no Cenáculo

  1. Leia esta formação com calma (cerca de 5 minutos).
  2. Faça 5 minutos de silêncio, pedindo a Deus o dom do Entendimento e a graça de ver com os olhos da fé.
  3. Escolha o passo do desafio e reze a oração (cerca de 5 minutos).

Perguntas sobre esta meditação

O que diz o Evangelho de 16 de novembro de 2026 (Lc 18,35-43)?

Um cego que pedia esmola perto de Jericó ouve que Jesus passa e grita por ele, mesmo repreendido pela multidão. Jesus o chama, devolve-lhe a vista por causa da sua fé, e o homem passa a segui-lo glorificando a Deus.

Por que a multidão queria calar o cego?

O texto não explica o motivo, mas mostra a tensão entre a insistência de quem sofre e a pressa de quem acompanha o Mestre. Jesus parou e atendeu o cego, o que revela quem tem a prioridade em seu coração (Lc 18,39-40).

O que é o dom do Entendimento?

É o dom que nos faz penetrar no sentido das verdades da fé, de modo que elas iluminem a vida. O Catecismo o inclui entre os sete dons (CIC 1831) e Santo Tomás de Aquino trata dele na Suma Teológica, II-II, q. 8.

O que a primeira leitura (Ap 1,1-4; 2,1-5) tem a ver com o Evangelho?

Em ambos há uma questão de ver bem. O Senhor pede a Éfeso que se lembre de onde caiu e recupere o primeiro amor, mostrando que se pode perder a clareza da fé quando o amor esfria (Ap 2,4-5).

Qual oração posso rezar a partir deste Evangelho?

A invocação Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, repetida com calma e atenção, inspira-se no grito do cego e é apresentada pelo Catecismo ao tratar da invocação do nome de Jesus (CIC 2667).

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