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PENTECOSTES 2033

Veni, Sancte Spiritus — Vinde, Espírito Santo

Inítium sapiéntiæ tímor Dómini.

O dom do Temor de Deus

O temor de Deus (em latim timor Domini) é o dom que produz no cristão um receio reverente de ofender a Deus, motivado pelo amor, não pelo medo do castigo. Não é o medo servil que paralisa: é o temor filial — como o filho amoroso teme desagradar ao pai porque o ama, não porque tem medo das consequências. A Escritura ensina que "o temor do Senhor é o princípio da sabedoria" (Pr 9,10): por isso este é o primeiro dom no caminho espiritual, mesmo que seja o último na ordem hierárquica.

Quatro tipos de temor a distinguir

Distinção tomista dos temores

  1. Temor mundano — medo de perder bens terrenos. Não é dom; pode ser pecado.
  2. Temor humano — medo de ridículo, de oposição, de perseguição. Pode levar a negar a fé.
  3. Temor servil — medo do castigo divino. É imperfeito, mas pode iniciar a conversão (atrição na confissão).
  4. Temor filial — receio amoroso de ofender a Deus pelo amor que se Lhe tem. Este é o dom do Espírito.

O temor filial cresce à medida que cresce o amor. Quanto mais amamos a Deus, mais tememos ofendê-Lo — não pelo medo das consequências, mas pela dor de magoar quem amamos.

O que faz o temor de Deus

Este dom produz na alma:

Temor e esperança

O dom do temor aperfeiçoa a virtude da esperança. A esperança nos faz aguardar de Deus a vida eterna. O temor evita que essa esperança degenere em presunção: lembra-nos que a salvação é gratuita, que dependemos absolutamente de Deus, que nossa fragilidade é real.

"Trabalhai pela vossa salvação com temor e tremor."

— Filipenses 2,12

Este "temor e tremor" não é angústia — é seriedade. A vida eterna está em jogo; tratemo-la com a gravidade que merece.

A beatitude correspondente

Cristo prometeu: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus" (Mt 5,3). Esta é a primeira beatitude — e a base de todas. A pobreza em espírito é exatamente o fruto do temor de Deus: reconhecer-se pequeno, dependente, necessitado de Deus.

Os santos e o temor

Os maiores santos foram os que mais temeram a Deus — e não porque vivessem aterrorizados. Era o oposto: viviam em paz porque sabiam reconhecer sua dependência. Santa Teresa de Jesus dizia: "Eu não temo o demônio, temo a quem teme o demônio" — quem teme a Deus filialmente já tem em si a vitória sobre o mal.

Como crescer no temor de Deus

Oração

Espírito Santo, Espírito de Temor do Senhor,
dai-me o santo temor filial que não paralisa, mas eleva.
Que eu odeie o pecado como ofensa ao Pai amado,
que reconheça minha pequenez sem desespero,
e que a consciência da Vossa grandeza
me mantenha humilde, vigilante e cheio de confiança.
Amém.

Veja também: Anterior: Piedade · Voltar aos 7 dons · Plano de 7 anos rumo a 2033