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PENTECOSTES 2033

Veni, Sancte Spiritus — Vinde, Espírito Santo

Sub tuum præsidium confugimus, sancta Dei Genitrix.

Maria no Cenáculo

Atos dos Apóstolos faz uma menção brevíssima — uma única linha — mas teologicamente densíssima: "Maria, mãe de Jesus, estava com os Apóstolos na oração do Cenáculo" (At 1,14). Essa presença mariana no nascimento público da Igreja não é detalhe biográfico: é revelação do papel singular de Maria como Mãe da Igreja, título proclamado por Paulo VI ao fim do Concílio Vaticano II.

O texto bíblico

"Subiram, então, ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelota, e Judas, filho de Tiago. Todos eles perseveravam unanimemente na oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele."

— Atos 1,13-14

Notemos: Lucas, que já havia consagrado dois capítulos do seu Evangelho à infância de Cristo com Maria como protagonista, é o único entre os evangelistas a nomear Maria neste momento crucial. Como médico cuidadoso de cada palavra, Lucas faz questão de registrar:

O paralelo entre Maria e a Igreja em Pentecostes

A teologia católica vê em Maria a figura primordial daquilo que acontece à Igreja em Pentecostes. Esse paralelo é antigo e profundo:

Pentecostes em Maria — Pentecostes na Igreja

Na Anunciação (Lc 1,35): "O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra: por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus."

Em Pentecostes (At 2,2-3): "Veio do céu um ruído... línguas de fogo se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo."

O mesmo Espírito que fecundou Maria para gerar o Cristo histórico fecunda agora a Igreja para gerar o Cristo místico — seu Corpo na história. Maria é a "primeira morada" do Espírito; a Igreja é sua morada permanente.

Como ensinou São Lourenço de Brindes: "Aquela mesma que pela vinda do Espírito Santo concebeu o Cristo cabeça, no Cenáculo concebe agora, pela mesma operação do Espírito, o Cristo total — seus membros."

Por que Maria está no Cenáculo

Maria não está ali por acaso ou por costume. Sua presença tem razões teológicas e maternas:

1. Como cumprimento da palavra de Cristo

Na cruz, Jesus pronunciou: "Mulher, eis aí teu filho", e ao discípulo: "Eis aí tua mãe". E acrescenta João: "Desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa" (Jo 19,26-27). João é figura de todo cristão; a entrega de Maria a João é entrega aos discípulos, à Igreja inteira.

2. Como modelo da oração na espera

Os Apóstolos estavam em oração perseverante aguardando o Espírito (At 1,14). Maria, que "guardava todas estas coisas em seu coração" (Lc 2,19.51), é o modelo perfeito dessa oração contemplativa. Ela ensina os Apóstolos a esperar.

3. Como vínculo entre a vida de Cristo e a vida da Igreja

Maria é a única testemunha que viveu tudo: desde a Anunciação até Pentecostes. Aos Apóstolos pode contar quem é verdadeiramente Aquele cujo Espírito agora recebem. É memória viva da pessoa de Cristo.

4. Como mãe a quem foi confiada a Igreja nascente

Não é exagero ver na hora de Pentecostes uma segunda Anunciação — desta vez à Igreja. E como na primeira, Maria está presente como mãe que "dá à luz".

Maria, Mãe da Igreja: o título solene

Em 21 de novembro de 1964, ao encerrar a terceira sessão do Concílio Vaticano II, o Papa São Paulo VI proclamou solenemente:

"Para glória da Virgem Maria e nossa consolação, proclamamos a Maria Santíssima Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo de Deus, fiéis e Pastores, que a chamam Mãe amantíssima; e estabelecemos que daqui em diante todo o povo cristão dê a esta Doce Mãe maior honra com este suavíssimo título e dirija súplicas a ela."

— São Paulo VI, 21 de novembro de 1964

Em 2018, o Papa Francisco instituiu a Memória de Maria Mãe da Igreja como obrigatória em todo o Rito Romano, a ser celebrada na segunda-feira após Pentecostes. Litúrgica e teologicamente, a Igreja celebra: o Espírito desceu no Cenáculo, e no dia seguinte, lembramos quem o esperou conosco.

O ícone de Pentecostes

Toda a tradição iconográfica oriental (e parte da ocidental) representa Pentecostes com Maria no centro, cercada pelos Apóstolos. As línguas de fogo descem sobre cada cabeça — inclusive a dela, que já fora "cheia de graça" desde a Anunciação. Por que então o Espírito desce sobre Maria novamente?

Porque não vem para santificá-la individualmente — vem para constituir nela e nos Apóstolos a comunidade da Igreja. O Espírito não vem só sobre indivíduos; vem sobre o corpo. E nesse corpo, Maria tem papel de mãe.

A presença de Maria em cada Pentecostes

A teologia católica não trata Pentecostes como evento concluído. Cada Eucaristia, cada Confirmação, cada bênção sacramental atualiza a descida do Espírito. E nessa atualização, Maria não está ausente:

Maria e a preparação para 2033

No bimilenário da Redenção, é particularmente importante recuperar a dimensão mariana da preparação. Quem deseja viver intensamente a Páscoa e o Pentecostes de 2033 encontra em Maria a melhor mestra. Toda novena de Pentecostes tem sentido mariano — não porque seja dirigida a Maria, mas porque é com Maria que se espera o Espírito.

Veja nossa página da Novena de Pentecostes — a oração mais antiga da Igreja, pedida pelo próprio Cristo: aqueles "dez dias" entre Ascensão e Pentecostes que Maria viveu com os Apóstolos no Cenáculo.

"Maria com sua oração materna acompanha a Igreja desde o início até hoje. Sua presença, antes silenciosa em Belém, fez-se eloquente no Cenáculo, onde 'todos perseveravam concordemente na oração com Maria, mãe de Jesus' (At 1,14)."

— São João Paulo II, Redemptoris Mater, 26

Veja também: Atos 2 comentado · Novena de Pentecostes · O Espírito na Trindade